Igrejas da Índia Portuguesa, por Rosário Fontes

Nesta viagem, teve lugar de destaque a visita a belas e imponentes igrejas, que nos fizeram acreditar que o Cristianismo está para durar naquelas terras do Oriente. Pudemos assistir à missa, pelo menos uma vez em Português, que nos fez cantar com força, as músicas tão conhecidas do nosso Portugal Europeu e até levou às lágrimas uma ou outra pessoa que não conteve tão grande emoção.
 
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Igrejas da Índia Portuguesa, por Rosário Fontes

Goa, por Cidália Martins Ribeiro

Encontrávamo-nos em Goa, vivendo emoções e aventuras, “revivendo” a passagem dos nossos antepassados por esta pérola do Oriente. Eis que fomos convidados para passar o dia com duas famílias, a do Ruben José Luís de Oliveira Fernandes e a do António Cardoso, um, farmacêutico e nosso “guia” em Goa e o outro, procurador/advogado, ambos descendentes de Portugueses, orgulhosos dessa pertença, falando fluentemente a nossa grande língua de Camões. 

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Iniciámos este registo único com a visita à residência da mãe do Ruben, uma belíssima mansão com marcada influência Portuguesa, quer na arquitectura – nem o galo faltava no cimo do telhado, quer no seu interior. Aliás, regista-se também a presença no quintal dos perus, galinhas e pavões entre outros.

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Sua mãe, encantadora senhora que fala um Português claro, não escondeu a sua emoção por este encontro e nós também não conseguimos abafar tamanho contentamento. Aí cantámos-lhe algumas canções Portuguesas, algumas delas pela mesma e mesmos acompanhadas. foi de facto um momento único.

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Daí seguimos para a residência do António, uma bela construção, réplica da casa de campo que a família havia possuído em Lourenço Marques. Aí esperava-nos a sua simpática mulher Verónica com um inesperado almoço de características Goesas – divinal!!!, autêntico manjar de deuses. Ao grupo veio juntar-se a filha de ambos – Nandini, que igualmente irradiava simpatia. 

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Daí seguimos, conduzidos pelos mesmos Ruben e António, em jeep pertença daquele, para a capela privada da família do Ruben, a maior de Goa e usada para as festas religiosas da família – católicos que se orgulham de mostrar e demonstrar a sua fé. Mais uma vez ficámos boquiabertos com tamanha beleza, tão bem preservada, com altares em talha dourada e uma variedade de estatuária religiosa encantadora, quadros representativos de uma Via Sacra absolutamente de cortar a respiração, rodeada também de mobiliário rico e algum com um significado tão personalizado! Por exemplo, cada membro da família ofereceu à capela um banco com a gravação do seu nome, que os membros desse ramo ocupam nas cerimónias aí celebradas.

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Terminada esta incursão no interior de uma vivência familiar ainda tão Portuguesa em terras tão distantes, mas onde ainda se respira a nossa lusofonia e depois de nos terem “guiado” a visitar locais tão bonitos, onde se incluíram algumas praias e terras menos visitadas, foram deixar-nos à praia de Baga, onde tivemos a oportunidade de desfrutar de um final de tarde numa praia de água índica, tão apetecível e de um ambiente exótico, incluindo aqui a coocupação com as vacas – o tal animal sagrado para os hindus – e de um pôr-do-sol único e digno dos registos que do mesmo fizemos.

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Bem, mas o dia de Domingo havia sido iniciado com a participação na Missa das 8h45, na Igreja Matriz de Calangute (Igreja de Santo Aleixo), de grandes dimensões e repleta de Goeses que aí celebravam a mesma fé.

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De registar também a alegre e ruidosa manifestação da nossa presença com tão simpáticos e disponíveis “irmãos”, assinalada pela cantoria ao longo da digressão, com inúmeras músicas e cantigas genuinamente Portuguesas, muitas delas acompanhadas por todos os elementos deste grupo onde sobressaiu o contentamento e alegria deste encontro.

Foi de facto um dia inolvidável e um ponto alto desta nossa aventura pelas terras onde Vasco da Gama há mais de quinhentos anos veio deixar um pouco da nossa alma lusitana. E tudo isto é alegre, tudo isto é FADO.

Goa, por Cidália Martins Ribeiro

Diu, por Isabel Cabral

O dia começou com uma visita ao Forte de Diu, uma fortaleza construída pelos Portugueses, para defesa dos seus territórios. Deslumbrante a vista, os sinais da passagem dos Portugueses, tais como inscrições nas paredes, símbolos Portugueses, etc.

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O calor era muito e acumulavam-se os visitantes de origem Indiana, quase só do sexo masculino, que mais se admiravam com a nossa presença do que com a fortaleza. Assim, as fotografias viravam-se para nós…quase que suplicaram que nos juntássemos a eles para tirar a foto. Entretanto pareceu-nos viverem ali alguns nativos com características especiais, muito lindas mulheres magras, vestidas dos pés à cabeça com cores coloridas, homens marcados pelo sol, geralmente com grandes bigodes, alguns com turbante.

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Após admirarmos a vista deslumbrante do forte e subirmos os vários patamares debaixo de um sol escaldante, fomos visitar várias Igrejas. São Tomás, com um museu, e São Paulo. Passámos também na de São Francisco de Assis, que se encontrava fechada. 

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Seguiu-se o momento lúdico do dia. Dirigimo-nos à praia de Gogola e eis que nos é proporcionado aquilo que faltava: que tal um passeio de balão, guiados ou puxado por um jipe? Só para os mais novos… muito arriscado, sobe-se muito, diziam outros! Pois é, foi para todas as idades. É verdade, começaram os mais novos. Mas depois ninguém resistiu! Claro, eu fui a última, a rigor, deu direito a filme. Mas quando de repente me içam lá para o alto, os berros foram mais que muitos! As pernas tesas, o vento a fazer vibrar a cadeira de lona. Mas nunca mais acaba! Lembrei-me de olhar para os arrozais à direita. Sensação única, um fogo a subir pela barriga acima.

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Passámos para um almoço à beira-mar, repetido do dia anterior – gostámos tanto! – com um peixe grelhado fresquíssimo e depois uns nans tão saborosos, de alho, queijo, etc. e os mais variados pratos indianos, não esquecendo um molho de caju, simplesmente maravilhoso. No fim, não chegou a 5 euros (450 rupias com gorjeta)!

A seguir ao almoço, cada um seguiu para a sua vida, sobretudo os que não tinham malas, foram à compras. Eu e outras viemos à praia de Nagoa, frente ao hotel onde estávamos. Que estranho, ninguém estava em fato-de-banho. Viam-se grupos de jovens, muitos rapazes e raparigas, com – parecia-nos – monitores, a tomarem banho no mar da Arábia morno, com a areia muito fina e meia escura nos vestidos. Não, ali não era possível pôr o fato-de-banho, percebemos logo! Passámos e fomos para a piscina do hotel.

Daqui seguiu-se o momento alto do dia: a celebração da missa – “trilingue”. Os cânticos eram assegurados por uma senhora, em Português, assim como as leituras. Os dois padres presentes não falavam Português (rodam de dois em dois anos, contaram-nos!). Uma emoção única, como se mantém a Missa em Português!

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No fim, os nossos dois orientadores – a organizadora da viagem e o nosso entusiasta historiador, presentearam-nos com várias canções de arrepiar qualquer um, com destaque para a Avé Maria do Frei Hermano da Câmara. O pior foi que, durante a missa, após tanta emoção e desgaste de energia, se não fosse agarrada pela colega ao lado, tombava para o chão vencida pelo sono!

Diu, por Isabel Cabral

Wilson – o rosto de Diu, por Sara Fontes

O quarto dia da viagem começou bem cedo. Deixámos Damão para regressar a Bombaim, um percurso de autocarro, a velocidade média de 50km/h, acidentado por lombas de 10 em 10 metros! Pela janela tentávamos absorver avidamente a Índia de fora das fortalezas portuguesas… casas e barracas construídas aleatoriamente, imenso plástico e pilhas de cartão, outdoors desbotados, pó, cães e vacas deambulantes, motas e riquexós sobrelotados, buzinas incessantes, crianças em uniforme a caminho da escola, gente que nos olha nos olhos.

Uma hora de voo separou-nos da barulhenta e superpovoada Bombaim de Diu, um paraíso de praia e palmeiras. O nosso hotel, fora do centro da cidade, lembrava um resort mediterrânico, não fossem os altares de Krishna, Ganesha, o incenso e o amoroso e intrigante acenar de cabeça dos indianos. O peixe grelhado que almoçámos num alpendre fresco com telhado de palha e vista para a baía de Diu transportava-me inevitavelmente para uma praia portuguesa. Depois abria os olhos e apercebia-me do olhar de espanto quando queríamos tudo non-spicy ou pedíamos uma coca-cola zero… you can’t take sugar out of coca!

Em Diu percebemos que a nossa viagem não estava a ser preparada apenas por nós.  Assim que soube da chegada de um grupo de portugueses, Wilson das Mercês Pedro Almeida pediu dispensa do trabalho para poder acompanhar-nos.Imagem

Quando estão portugueses em Diu, diz não perder a oportunidade de falar português e de partilhar o gosto pela música portuguesa. Que bem que nos cantou a “Morena oh morenita” do Marco Paulo! Wilson tem um sorriso contagiante e foi o melhor dos anfitriões: pelas ruas de Diu apresentou-nos aos seus amigos cristãos, muçulmanos, hindus e aos falantes de português, sempre atento à nossa segurança, para não sermos atropelados por uma mota, um riquexó ou uma vaca! Ajudou a solucionar todos os nossos caprichos, foi filmado para a câmara implacável do Peu, respondeu a todas as nossas perguntas, contou-nos a história da sua vida e recebeu-nos em sua casa. Apesar de ter apenas 10 anos quando os portugueses deixaram Diu, tem um empenho comovente na preservação da língua, do património, da religião e das tradições deixadas pelos portugueses. A melhor prova dessa herança foi por ele próprio desvendada: Como poderia cantar oh morena morenita se não fosse cristão?! Vive com a mulher, o filho e os pais, e todos falam português em casa. Preocupa-o o número de famílias cristãs de Diu a diminuir (actualmente são 150). Sabe que precisam de restaurar a sua igreja, a de São Paulo, linda, mas onde também entram pombos, falta tinta nas paredes, a arte está desprotegida e pede cuidado diferenciado. Tem planos de visitar Portugal daqui a 5 anos… para já está a tratar do passaporte português. O Wilson tornou-se o rosto de Diu e a nossa relação com ele indissociável da relação com a cidade.
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As ruas do centro de Diu são pequenas, mas atravessá-las parecia demorar horas! São um verdadeiro festim para os sentidos: as cores dos saris ondulantes, as especiarias que perfumam o ar, os riquexós “buzinantes” decorados com divindades hindus, flores e cachecóis da seleção portuguesa, a herança que íamos desvendando em varandas, portas, fechaduras e ferrolhos, crucifixos e inscrições. Cuidado com a vaca! Éramos os únicos visitantes daquelas bandas, observados atentamente pelos locais que encostados à ombreira da porta de casa ou da loja nos cumprimentavam “Olá estás bom?” Alguns não sabiam dizer mais nada, mas achavam graça à nossa cara entusiasmada.Imagem

Wilson – o rosto de Diu, por Sara Fontes

Baçaim, por Ana Ortins Pina

O dia da visita a Baçaim teve um parto difícil que em nada permitia adivinhar o seu delicioso desfecho. Depois de uma jornada a esperar, desesperar e calcorrear o aeroporto do Dubai, começamos o dia 24 de Fevereiro de madrugada com um libertador voo Dubai – Mumbai. Fechamos os olhos e imaginado-nos num leito confortável, numa praia do mar arábico, ao som do fado.

O pior tinha passado… Pensávamos nós. Mas em breve aprenderíamos, da forma mais duramente libertadora, que, na nossa viagem pela Índia portuguesa, apenas as vacas e o infinito prazer da descoberta são garantidos. Saímos do avião, esperamos pelas malas e vamos discutindo os planos do dia. E esperamos. Esperamos até nos ser fornecida pelo Staff uma infame lista das malas que tinham ficado em Dubai – todas menos as da Isabel e da Inês, por sinal as únicas viajantes que estariam cabalmente prevenidas pela bagagem de mão. As malas estariam esquecidas? Perdidas? Ignoradas? Não. Ostensivamente identificadas, e não transportadas. Uma vez cumpridas as formalidades burocráticas, engolimos o sapo e mantivemos o ingénuo ânimo de vermos as malas em breve…

Inspiramos curiosos a brisa indiana, quais miúdos rebeldes que fumam o seu primeiro cigarro. Mal sabíamos nós que a Índia seria tão mais viciante que qualquer charro. Somos recebidos pelo Parveen, que nos leva a um hotel próximo para pequeno-almoço e banho. Daqui seguimos de autocarro para o primeiro destino.

Seria mais fácil ignorar um elefante cor de rosa com asas do que ignorar o que se passava à nossa volta. Através das janelas do autocarro, deixamo-nos maravilhar pelas primeiras impressões da Índia. O trânsito caótico, em movimento incessante sem qualquer colisão. O buzinar como cumprimento, caloroso aviso e modo de vida. Os amontoados de lixo em perfeita harmonia com as casas e as pessoas. Os brilhantes e luminosos adereços decorativos em tudo. A pobreza das barracas com antenas parabólicas. Saris, turbantes, malas Chanel e chinelos. Muçulmanos, hindus e cristãos, de mãos dadas. Tirar uma fotografia a uma moto com 4 pessoas em cima dela e ver a alegre curiosidade de um indiano transeunte, divertido pelo nosso interesse, gesticulando 4 dedos para nós… amorosa vingança do chinês. O mais estranho é a enorme diversidade de tudo e todos, em todo o esplendor de identidade, sem fusões mas sim em pacífico convívio, como se nada mais natural e expectável houvesse.Imagem

Chegamos a Baçaim a hora amena, numa tarde de céu azul na Índia. Baçaim foi uma cidade muralhada, de grande dimensão (mais de 100 ha) construída pelos portugueses no século XVI para responder à necessidade de abastecimento de provisões para outras feitorias. Outrora terra de fidalgos a quem eram concedidos os ‘prazos’, foi no século XVIII cedida aos matacas, povo indígena local, para firmar um acordo de paz. Estes devem ter ficado felizes, mas não pareceu porque, uma vez em sua posse, abandonaram Baçaim, por receio dos seus presumíveis ‘fantasmas’.

Exploramos as ruínas de Baçaim, quais Laras Croft em Tomb Raider. Na Igreja da Imaculada Conceição, dois túmulos de ‘Donas’ que tiveram importância na gestão de Baçaim. Portugal foi pioneiro em tanto, mas não deixa de ser surpreendente ver duas mulheres no topo da ‘corporate ladder’ do século XVII. Na Igreja dos Jesuítas, e na sua passagem para o sítio onde estaria a escola, vários exemplos de simbiose indo-portuguesa, como as flores que simbolizam pureza para os indianos, no pórtico da igreja.

Nem a maratona de 48h de viagem nem a improvável desilusão com a Emirates Airline, limitaram o impacto de Baçaim. Que graça saber que aquelas muralhas nas quais hoje ganham raízes árvores gigantes, foram ontem casa dos nossos antepassados, e que a sua igreja é agora campo de criquete em dias de sol escaldante. Apesar de sentir nostalgia pela decadência dos tempos idos, senti-me comovida pela nossa presença lá, unindo dois tempos tão distintos.

Sendo este um destino geralmente pouco interessante, a não ser para um grupo de sonhadores como nós, também o Mahipal se encantou com Baçaim, e ouviu o Peu com atenção. E, como nós, estava lá também um encantador grupo de meninas da escola com uniforme de saia, camisa e laçarote no cabelo, algumas descalças, mas nem sempre em ‘fila indiana’.Imagem

Os indianos estão naquele lugar para jogar criquete, para cortar troncos que arrastam em grupo, para partir pedra que depois vendem, ou simplesmente para estar. E de quando em longe, aparecem por Baçaim turistas… Então, animados e de iPhone em riste, os indianos descalços fotografam de volta os turistas que os acham interessantes e diferentes. Um fogo cruzado fotográfico com um povo tão orgulhoso quanto humilde, tão curioso quanto envergonhado, tão interessado quanto despojado, que parece viver contente para gozar o que tem e fazer o que pode…

Deixamos Baçaim de autocarro em direcção a Damão. Chegamos à noite, por um feliz atraso do programa, permitindo ver o forte de Damão Grande etereamente iluminado. Damão foi escolhido pelos nossos antepassados, por ser um dos mais importantes entrepostos das grandes rotas comerciais do Oriente. O tiro saiu pela culatra porque, uma vez conquistado e estabelecida a feitoria, as grandes rotas foram desviadas… obrigando os portugueses a reinventar o seu comércio.

Entramos em Damão Grande pela pequena porta do mar, defendida por baluartes, para uma cidade desenhada de forma geométrica, com ruas paralelas, e quarteirões tão familiares. Uma solução urbanística reproduzida nas várias colónias portuguesas, e mais tarde adoptada na Lisboa pombalina. E agora, qual é a colónia?

Vimos em Damão o departamento oficial do Governo da Índia, edifício tipicamente colonial em que permaneceu, orgulhosamente, à porta, o escudo português. Claro, por que não? De repente, uma voz inesperada: “para ali é a Porta da Terra, para acolá a Porta do Mar”. Um guia turístico? Um angolano em férias? Não! Era um compatriota deste lado do mundo. O primeiro ‘indiano português’ que conhecemos, a primeira vítima das reveladoras entrevistas do Peu. Câmara luzes acção – copo de cerveja na mão, esguio, de tez achocolatada, o Francisco Lopes dissertou divertido sobre a sua história. Depois vimos a casa do filho, com uma placa ‘Miguel Lopes, advogado’. Que encontro irreal. Como explicar o demasiado improvável? Como é que há 500 anos, um sonhador se lançou ao mar de monstros, de astrolábio na mão… E hoje o filme digital de uma entrevista em português perfeito, de imediato está na rede global.

O dia terminou com a chegada ao hotel de Damão, onde ainda haveria para resolver a primeira das trocas de quartos. Fizemos tenção de jantar. O que parecia um simples pedido transformou-se numa animada troca de palavras, gestos e acenos de cabeça, envolvendo todo o staff. Correr tudo bem é no mínimo suspeito, na Índia! O homem da noite foi o simpático e um pouco trengo ‘artista de Bollywood’ que nos ensinou as nossas primeiras palavras em hindi.

Um dia em cheio, ‘wel-com to India’!Imagem

Baçaim, por Ana Ortins Pina