Vir à Terra Santa, por João Tinoco

Vir – “ir” – à Terra Santa foi um sonho que acalentei toda a vida, por isso, quando fui informado por um estudante jesuíta que haveria uma viagem promovida pela Helena de Tróia Viagens e estando reunidas as condições necessárias, inscrevi-me.

Imaginava uma viagem de turismo, como tantas outras. Viria à Terra Santa conhecer os lugares por onde andou Cristo, tiraria umas fotos, rezaria, compraria uns recuerdos. Fiquei, como se costuma dizer, de pé atrás, quando fui informado pela organização que a viagem não teria um cariz turístico, mas seria uma peregrinação aos lugares Santos, orientada pelo Padre Carlos Carneiro sj. Pronto! – pensei eu, coisas de jesuítas! Pois que os jesuítas nunca viajam. Quando percorrem o mundo, ou vão em missão ou estão em retiro ou em peregrinação.

Reconheço hoje, no meio da viagem, que não poderia haver melhor forma que esta para peregrinar por estas terras. É muito mais que visitar um lugar, sendo espectador das realidades e locais que a cada dia vão perpassando por mim. Entrar na terra, sentir os lugares, fazer parte dos acontecimentos aí ocorridos.

O guião do filme de que somos actores é-nos dado pelo excelente realizador que é o Pe. Carlos. A mensagem de Cristo de há 2000 anos está plenamente presente nele. Sabe ser criativo, amoroso, solidário, mas também firme e duro nas palavras em defesa dos valores cristãos. Místico, mas humano. Envolvente e orientador, o que cria em mim um turbilhão de emoções que nunca esperei experimentar.

Foi com uma enorme emoção, que me turvou a visão, que dei comigo a rezar uma Avé-Maria no local onde o Anjo saudou Maria da mesma forma. Em Jericó, durante a homilia arrebatadora do Pe. Carlos, na pequena capela de Zaqueu, deixei de ver o celebrante no altar e era o próprio Cristo que ali estava a falar para os apóstolos, que desta vez eram 60 e não 12.

Deserto da Judeia

Na imensidão do deserto, num silêncio que esmaga, senti como pequenas coisas a que não ligamos porque ordinárias são tão importantes noutras realidades.

Oferecendo um chocolate a uma criança beduína e tendo na mão uma garrafa de água, ele entregou-me o chocolate e pediu-me a água, que imediatamente bebeu com sofreguidão. Não era normal para mim esta atitude, mas imediatamente a apreendi.

Ansiosamente continuo expectante para a emoção que se segue.

19.02.2015

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Vir à Terra Santa, por João Tinoco

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