Um “Encontro” muito especial, por Madalena e António Perestrelo

Quando nos inscrevemos para esta viagem, só conhecíamos o padre A.J. Trigueiros como um dos grandes mentores desta “aventura” . Soubemos que o padre M.Almeida e outro casal amigo também nos acompanhariam e ainda ouvíramos falar de uma jovem guia, divertida e que iria para o “campo” alguns dias antes para aprontar tudo “comme il faut”. Quem seriam os outros peregrinos que encheriam uma camioneta? Uma série de beatos, desligados da realidade? Uns velhotes resingões e complicados? Uns e umas solteironas que estariam mal com a vida? Haveria jovens? Não fazíamos ideia, mas tínhamos que arriscar! Não é todos os dias que se tem a oportunidade de viajar uma semana com 2 jesuítas de mente aberta e disponíveis para nos ouvir e ajudar a “pensar” … na Terra Santa. Um desafio para um casal que precisa de algum “tempo” para “arrumar” algumas ideias, e que quer e sente necessidade de visitar, tocar, cheirar e perder-se naqueles “espaços” de que sempre ouviu “falar”. Uma “viagem” especial que nos ajudasse  a compreender melhor aquelas “narrativas”, a aceitar o outro, aprender a Ver e a Crescer. Este desafio superou Todas as nossas Expectativas!

O grupo afinal era o mais heterógeneo possível, e talvez por isso uma mais valia. Jovens….Havia! e sempre a marcarem a sua presença com muita alegria, vozes e cantos que nos enchiam a alma! De todos destaco três maneiras de estar e bem representativos de como estávamos bem acompanhados pelos mais novos. Uns, aqui representados pela Inês e o Duarte (da idade dos nossos filhos) e como os nossos, a viverem no estrangeiro. Não tiveram medo de ir procurar trabalho,construir família e não baixaram os braços perante as adversidades .Outra, a Joana, já licenciada e que irá abraçar o noviciado nas Escravas. Uma lição para todos,uma jovem muito doce e serena, cheia de coragem  e disponível para os outros. A terceira, a nossa Leninha, a tal guia, que, como tantos outros jovens não está nunca satisfeita , uma força da natureza de alegria e empreendedorismo que se lança agora num Novo projecto mas …em Portugal. Todos unidos, nas mais diversas profissões, por uma fé inabalável de procura de caminhos e experiências que fortifiquem e ajudem a Crescer com Ele e a Acreditar, e a compartilharem connosco as suas vivências.

Havia também e naturalmente casais de meia… idade, como nós, e outros casais, solteiros ou solteiras mais jovens mas anos bem firmados. Alguns sem filhos ,mas muito unidos,outros com filhos e que se tornaram mais unidos para enfrentar e ultrapassar dificuldades vividas.Todos a tentar acompanhar o ritmo do andamento e  “procura”, com os nossos momentos de dúvidas, com as hesitações, avanços e recuos como seria de esperar nas visitas a locais onde Ele marcou a sua presença. Havia entre todos, um casal que se destacou pela idade e dificuldade em andar, mas de fibra inabalável. Apesar do calor e de alguns percursos mais “íngremes”, iam a todos os lugares e estavam sempre presentes. A grande revelação de entre os nossos companheiros de peregrinação, foi a irmã Irene, Escrava do Sagrado Coração de Jesus. Posta à prova no lugar mais inóspito onde estivemos, Jericó, testemunhou-nos a sua Fé, a sua Força e Inteligência e ajudou-nos a Ver e a Acreditar que é possível  “fazer coisas” derrubar os “muros” que existem fora e dentro de nós e sermos mais Solidários.

Finalmente os nossos guias espirituais, 2 Companheiros desta nossa grande “Viagem”, apoiaram–nos com toda a sua experiência, humor, cumplicidade, conhecimento e abordagem a muitas das nossas interrogações , dúvidas e  hesitações . De uma frontalidade e abertura que muito nos ajudou, com sensibilidade para ouvir todos os Credos, conseguiram com a sua Preparação que tivéssemos momentos de profunda vivência reflectidas no “Vademecum do Peregrino” que tão bem conceberam. Com os “tempos” certos, as orações escolhidas pelos lugares onde Jesus nasceu, viveu e morreu por nós, as pistas para meditar e aproveitar os momentos de silêncio. Este “badameco” que se tornou inseparável das nossas mochilas e as reflexões e homilias  proferidas,em lugares especiais, continham tudo o que precisávamos para este “Encontro”. Obrigados padres António Júlio Tr. e Miguel Al. por nos ensinarem a “…saborear as coisas internamente…” Alguém já disse que o Grupo era Grande e desconhecido e tornou-se cada vez mais Pequeno e Unido. Só possível pelo compartilhar de grandes momentos ali vividos, como seja, entre outros:

1.Rezar o terço de forma descontraída, sentados ou deitados no chão, numas arcadas exteriores, no local da Anunciação, a marcar em cada mistério as visitas que se anunciavam desta nossa peregrinação.

2. Ouvir o silêncio no meio do Mar da Galileia, sem “ruídos”. Só uma brisa, algum chilrear de pássaros e o bater das águas no casco do barco ali parado.

3.Ou ouvir o mesmo silêncio e meditar e rezar frente a uma paisagem de outra margem, com o altar e a cruz de uma simplicidade Beneditina e que se sentia: Ele esteve aqui!

4.Os contrastes de religiões, culturas, povos a conviverem no mesmo espaço e as nossas ambiguidades a pôr à prova a nossa tolerância.

5. Orar no mesmo espaço e compartilhar momentos e alegrias que tocam a todos , só que se manifestam de formas diferentes

6.Termos sido bem recebidos na Palestina e “entrarmos de costas” pela fronteira de Jerusalém, junto a um muro agora erguido, com todas as contradições e significados que estes gestos  podem representar.

7.A visita ao “local” onde terá nascido Jesus e a importância  de uma vivência pessoal, muito perto daquele “espaço”, numa gruta despida de ornamentos e com um poder simbólico que nos “tocou” .

8.A noite no Monte das Oliveiras e a Cruz de velas, com as nossas mais íntimas promessas, desejos ou desabafos em comunhão e a Ver Jerusalém.

9.O “derrubar” dos Muros e a oração ali proferida e sentida, várias vezes repetida.

10.Os cânticos tão bem acompanhados, em momentos tão distintos como seja durante os nossos trajectos, nas missas e locais de grande paz interior, no inicio e final de profundo silêncio e meditação e ainda na Via Sacra.

A todos os companheiros desta “viagem” muito especial , um obrigado pela forma como contribuíram e nos ajudaram a aprender a Ver e a Crescer.

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Um “Encontro” muito especial, por Madalena e António Perestrelo

3 thoughts on “Um “Encontro” muito especial, por Madalena e António Perestrelo

  1. Maria says:

    Pai que bom que foi ler este vosso testemunho, tão bem escrito (como sempre nos habituou) e que, através da descrição pormenorizada, me permitiu “entrar” um bocadinho nessa viagem especial e perceber aquilo que viveram e sentiram. Obrigada pela partilha. Um beijinho muito grande. Orgulho-me muito da Mãe e do Pai.

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