Emaús, por Madalena Abreu

A Leninha teve (mais uma!) ideia fantástica… pedir a diferentes forasteiros que redigissem umas quantas linhas acerca da nossa peregrinação… Pois muito bem… ficaremos assim com mais algumas memórias a partilhar por todo o grupo gerando, assim, um maior trilho de laços e amizade. Mas a maravilhosa Leninha disparou os convites a um grupo de pessoas (ainda não sabemos bem quem são) com aparente desconhecimento dos seus dotes literários e, arriscado ainda mais nesta empreitada, deixando a cada escolhido a liberdade do tom e do conteúdo do texto. Em consequência, comecemos esta leitura com espírito de autêntica abnegação e compreensão pelos erros de escrita, bem como pela escolha pessoal dos temas a tratar. Quer isto dizer que, desde já, peço a vossa clemência para as palavritas que me ocorrem passar para este “papel”.

E foi o Domingo, dezoito de Agosto do ano de Nosso Senhor de 2013.

Decidi principiar com a divisão do texto em duas cores: azul e branco, as cores da bandeira de Israel.[1]

Sobre o azul, cor do mar, que é água, e água que é vida, recordo dois momentos fulcrais deste dia da nossa peregrinação: Emaús e a viagem de avião. Quanto ao primeiro momento, iniciado pela “frescura” tórrida da manhã, seguimos até ao local onde dois discípulos terão convidado Jesus Ressuscitado para jantar. Emaús será provavelmente Nicópolis, sendo atualmente a vila palestiniana Imwas (estou um pouco confusa, agradecendo quem possa precisar o que acabei de escrever). Um dos discípulos chamava-se Cleófas; e qual seria o nome do outro? Arrisco que seria cada um de nós. E penso que naquele espaço, onde celebrámos a eucaristia, de céu aberto e de uma imensa beleza simples e quieta, todos nos experimentámos no centro daquela cena do Evangelho. Fomos ainda mais peregrinos em constante caminhada em direção a um Jesus que os olhos demoram a encontrar e a contemplar… os nossos olhos também se foram abrindo e vendo. E vimos mais o Cristo e fomo-nos descobrindo mutuamente na partilha do “pão”… Se Jesus se dá e se revela neste partir do pão, assim nas nossas partilhas, conversas e olhares, percebemos estar mais próximos deste Mistério, que é Cristo Ressuscitado.

Pouco depois sucedeu a viagem de regresso (afinal, a viagem para Emaús era agora esta!). Ainda houve por entre estes dois momentos um terceiro: a visita ao museu do Holocausto. Passei por aqui a correr tanto quanto me foi possível. O impacto de Auschwitz (em 1991) deixou-me horrorizada de forma a não querer ver mais imagens desta monstruosidade.

Nesta viagem de retorno a Portugal, e durante o primeiro e mais longo trajeto, “mais uma vez” (!) o “grupo do fundo” quase que transformava esta incursão num arraial minhoto! (perdoem-me aqui os alentejanos, beirões, durienses e alfacinhas, ou outras espécies sapiens sapiens). E claro, ainda ao som do toque do shôfar (aprendamos com quem faz festa à entrada do templo), o qual fica nos nossos arquivos auditivos. Valeu-nos, pois seguíamos já sem o Fernando, um grupo de “aeromoças” sorridentes e quase a hermanar com a nossa ruidosa animação. Esta viagem, e para quem nos visse, parecia agora um grupo de ‘velhos’ familiares e amigos na seu rotineiro passeio de verão. E foi em autêntico clima de festa rija que voltámos a romper as fronteiras físicas, aterrando finalmente na capital do Império.

Agora na cor branco escrevinho num tom ainda mais pessoal… branco resulta de todas as cores, é local de imaginação, espírito e coração a deambular.

Cheguei a Portugal a transbordar! “Esmagada” por esta experiência de ‘Céu tão próximo da terra’. O recebido é imenso, de diferentes tonalidades e só me fala de um Deus apaixonado por nós, homens. Neste Domingo, foi forte em mim uma profunda admiração por estes dois povos: judeus e palestinianos. O que me foi dado a perscrutar afigura-se como uma situação quase milagrosa… confesso que vi mais laços, ainda que ténues, do que muros intransponíveis. Esta gente tem a coragem de coabitar com distâncias mínimas, sem dúvida, num dia-a-dia que ainda é sobressaltado por pinceladas de bombas, desconfiança e incompreensão. Experimento-mo agradecida a ambos!

Ainda uma nota antes de vos/nos deixar… este pequeno artigo demorou a nascer…. Estava difícil de ser executado. Desde Segunda que me encontro a fazer Exercícios Espirituais, na casa dos Jesuítas em Soutelo, não sendo a escrita do roteiro da viagem o que me ocorre ao espírito. Eu já tinha decidido rezar por todos durante estes dias, e à custa destas letras não me foi mesmo deixada outra opção… Valha-nos Jesus Nosso Senhor!

Madalena Abreu


[1] Obviamente, nós somos as estrelas.

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