Jerusalém, por Joana Santos

Como descrever um dia que, de tão profundo e preenchido, parece um mês?

Começámos o dia a contemplar o mistério da assunção de Nossa Senhora, na Igreja da Dormição. Uma igreja lindíssima que nos ajuda a entrar na história de Maria. Foi bonito perceber que é descendo ao mais profundo daquele lugar que, encontrando uma imagem de Maria adormecida, tocamos na sua extrema humanidade que é, ao mesmo tempo, o momento em que se parece mais com Deus. Mesmo ao lado deste lugar encontramos a sala que guarda a memória da Última Ceia. Talvez o sítio mais simples que visitámos. Tocou-me que um dos únicos pormenores daquela sala sejam pequenas e discretas imagens de pelicanos que nos ajudam a lembrar a entrega de Jesus naquele lugar. Logo de seguida, a poucos metros, numa Igreja franciscana, celebrámos o momento que estivemos a recordar. Vimos ainda nessa manhã o local da traição de Pedro, junto às escadas por onde o Senhor passou. Foram duas imagens extremamente fortes, a nossa identificação com o discípulo e a contemplação do caminho de entrega de Jesus. Antes do almoço fomos visitar a maquete de Jerusalém há 2000 anos atrás, que nos ajudou a reorganizar a geografia da cidade.

A nossa tarde foi passada no Monte das Oliveiras. Visitámos o memorial da Ascenção; a Gruta do Pater Noster, onde recordamos a oração do Pai Nosso na língua e no local onde o Senhor o ensinou aos discípulos; a capela de DominusFlevit, com uma vista incrível sobre Jesuralém, que nos dá a sensação de a estar a ver através dos olhos do próprio Jesus; o Horto das Oliveiras e a Igreja da Agonia, que guarda a rocha onde rezou na noite da sua prisão e ainda uma Igreja ortodoxa que a tradição cristã identifica com o túmulo de Maria.

Nessa noite tivemos a graça de voltar à capela onde o Senhor chorou, para um momento de oração. Poder encontrar Jesus naquela noite, num sítio que nos fala tanto do que sentiu, do que pensou, do que viveu, foi um dos momentos mais especiais de toda a viagem.

Foi uma viagem incrível, numa cidade profundamente enigmática, cheia de simbolismo e espiritualidades. É bonito ver que uma terra com tantos contrastes é também um sinal tão universal da presença de Deus. É fácil julgar a aparência dos lugares, a diferença dos rituais, o exagero de algumas decorações. Mas olhando para a nossa Jerusalém interna, percebemos que esta cidade é uma excelente metáfora daquilo que fazemos com os locais onde Jesus encarna na nossa história. Esta viagem ajudou a perceber que só o Senhor, com tempo, conseguirá ajudar-nos a ir dando a volta interna de que necessitamos para O reconhecermos nas Terras Santas da nossa vida.

Profundamente grata por tanto bem recebido,

Joana Santos

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